ESPÉCIES

ESPÉCIES

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FABACEAE

Canavalia rosea (Sw.) DC.

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FEIJÃO-DA-PRAIA

Ocorrência: Espécie pantropical ocorrendo somente ao longo das regiões costeiras. Na Restinga de Massambaba é abundante na formação psamófila reptante.

​​​​​​Descrição: Erva reptante, até 60 cm altura. Caule com ramos estriados a sulcados, pilosos. Folhas compostas, trifolioladas, folíolos orbiculares a obovados. Inflorescência axilar, com 1 ou 2 flores por nó; flores pentâmeras, bissexuadas, cálice verde, corola róseo-lilás. Fruto legume, oblongo, piloso, marrom, poucas sementes por fruto. Semente ovoide a elipsoide, grande, testa lisa e marmorada com tons de marrom e bege, hilo cinza bastante evidente. Plântula fanerocotiledonar, epígea, cotilédones de reserva.

 

Informações ecológicas: Frutificação no outono. Polinização por melitofilia(136). Dispersão de sementes por autocoria. A maior parte das sementes não apresenta dormência e inicia a germinação 3 dias após a hidratação. Germinação alta (83%) e tempo médio de germinação de 30 dias. Uma parcela pequena das sementes pode apresentar dormência física.

Uso local: Espécie não mais utilizada pelas comunidades locais, como foi no passado. Suas raízes foram utilizadas na medicina tradicional como diuréticas e a infusão das sementes, como purgativa.

Observações:  Há indicação de um novo alcaloide (carnosina), isolado das partes aéreas de C. rosea, sendo um importante inibidor da ligação do receptor de dopamina(137), sugerindo um possível avanço no tratamento de doenças, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e narcolepsia, por conta de seus efeitos psicoestimulantes, e no tratamento de obesidade por suas propriedades supressoras do apetite.

FABACEAE

Chamaecrista flexuosa (L.) Greene

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Ocorrência: Apresenta ampla distribuição desde o México até a Argentina, em diferentes fisionomias dos campos do cerrado, bordas de estradas e mata de galeria sobre solos argilosos, arenosos ou areno-pedregosos. No Brasil ocorre em todas as regiões, na vegetação da caatinga, campinarana, campo de altitude, campo limpo, campo rupestre, cerrado, nas florestas ciliar, estacional semidecidual, ombrófila, ombrófila mista, restinga e savana amazônica e em áreas antrópicas. Na Restinga de Massambaba é comumente encontrada na formação arbustiva aberta (área aberta entre-moitas) e em áreas perturbadas. 

​​​​​​Descrição: Subarbusto até 80 cm de altura, cespitoso, estípulas oval-acuminadas, persistentes. Caule com ramos quadrangulares, flexuosos. Folhas compostas, alternas, paripinadas, podendo ter até mais de 100 folíolos pequenos, linear-oblongos, ligeiramente discolores, glabros. Inflorescência dicásios ou flores isoladas, axilares; flores bissexuadas, pentâmeras, corola com pétalas amarelas, obovadas. Fruto legume, linear-oblongo, várias sementes por fruto. Semente trapezoidal, pequena, testa lisa e marrom clara. Plântula fanerocotiledonar, epígea, cotilédones foliáceos fotossintetizantes.

Informações ecológicas: Frutificação no outono. Polinização por melitofilia(39). Dispersão de sementes por autocoria ou por balística. Parte das sementes possui dormência física. Germinação mediana (50%) para sementes que não passaram por tratamentos de quebra de dormência e germinação alta (73%) após imersão em água a 80ºC por 10 segundos(138). Germinação preferencial em temperatura constante(106). As sementes formam banco de sementes. 

FABACEAE

Chamaecrista ramosa (Vogel) H. S. Irwin & Barneby

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Ocorrência: Com ocorrência na Bolívia, Colômbia, Venezuela, Guianas e Suriname. No Brasil, distribui-se na Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado, Floresta Atlântica e Pantanal, em estados das regiões Norte (Amazonas, Pará, Roraima, Tocantins), Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul (Paraná) e em variados tipos de vegetação. Na Restinga de Massambaba, ocorre na formação arbustiva aberta (área aberta entre-moitas).

Descrição: Subarbusto ereto até 50 cm de altura. Caule com ramos difusos, circulares, não flexuosos. Folhas compostas, opostas, alternas, paripinadas, 4 folíolos, os proximais menores que os distais, linear-elípticos a oblongos ou obovados, glabros. Inflorescência uniflora, axilar; flores isoladas, cálice com sépalas verdes ou amareladas, oblongas, acuminadas, desiguais em comprimento, corola amarela, com 4 pétalas externas, obovadas, cuneadas e pétala interna diferenciada, cuculada. Fruto legume, linear-oblongo, poucas sementes por fruto. Semente pequena, achatada, com uma ponta fina e outra arredondada, testa lisa, marrom a negra. Plântula fanerocotiledonar, epígea, cotilédones foliáceos fotossintetizantes.

Informações ecológicas: Frutificação no inverno. Polinização por melitofilia(39). Dispersão de sementes por autocoria ou por balística. Sementes sem dormência, iniciam a germinação 5 dias após a hidratação. Germinação mediana (52%) e tempo médio de germinação de 7 dias. As sementes formam banco de sementes. 

FABACEAE

Chloroleucon tortum (Mart.) Pittier 

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JACARÉ

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Ocorrência: Espécie endêmica do Brasil, com ampla distribuição, no Norte (Tocantins), Nordeste (Bahia), Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul) e todo o Sudeste. Ocorre no Cerrado e na Floresta Atlântica. Na Restinga de Massambaba é comumente encontrada nas formações arbustiva fechada e arbustiva aberta.

Descrição: Árvore até 12 m de altura, de copa baixa e arredondada. Caule canelado revestido por casca lisa e marmorizada, marcada pela escamação laminar, ramos espinescentes ou não. Folhas compostas, bipinadas, de 3 a 4 pares de pinas, de 5 a 8 pares de foliólulos oblongos por pina. Inflorescência em glomérulos; flores inicialmente brancas, passando a creme após a fecundação, perfumadas. Fruto legume, séssil, retorcido, compresso, negro-amarronzado, várias sementes por fruto. Semente ovoide, mediana, testa lisa, bege. Plântula fanerocotiledonar, epígea, cotilédones de reserva.


Informações ecológicas: Frutificação no inverno. Dispersão de sementes por autocoria. Uma pequena parte das sementes não possui dormência e inicia a germinação 3 dias após a hidratação. A maior parte das sementes, no entanto, apresenta dormência. Germinação alta (82%) e tempo médio de germinação de 140 dias.


Uso local: No passado, a madeira era extraída para uso na construção de casas, marcenaria e confecção de cabos de ferramentas, assim como para lenha.
Observações: Árvore vistosa, com potencial ornamental, sendo apropriada para o paisagismo, principalmente para arborização urbana. Madeira pesada, dura e compacta, bastante decorativa e de boa durabilidade em ambientes internos(139). Espécie com status de conservação quase em perigo (NT) de extinção, de acordo com a avaliação do CNCFlora(140). 

 

FABACEAE

Inga laurina Willd.

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INGÁ-MIRIM, FARINHA-SECA, INGÁ

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Ocorrência: Amplamente distribuída na América Central e do Sul, do México até a Argentina. No Brasil, encontra-se na Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado e Floresta Atlântica. Na Restinga de Massambaba é encontrada comumente na formação arbustiva aberta e em áreas de transição com a formação florestal não inundável.


Descrição: Árvore até 8 m de altura, ramos cilíndricos, glabros, lenticelados. Caule com casca avermelhada. Folhas compostas, alternas, raque foliar alada, de 2 a 3 pares de folíolos com nectários. Inflorescência em espiga, axilares, curtas; flores esbranquiçadas com estames alongados, perfumadas, cálice verde e campanulado. Fruto legume-bacoide, glabro, cilíndrico, amarelo quando maduro, 4 a 8 sementes por fruto. Semente elipsoide, grande, testa esverdeada, recoberta por tecido carnoso branco(141 142). Plântula fanerocotiledonar, hipógea, cotilédones de reserva)143).


Informações ecológicas: Frutificação no outono e inverno(24). Dispersão por zoocoria. Sementes sem dormência, germinam entre 6 e 12 dias após o início da hidratação(144). Germinação alta (entre 80% e 100%) em temperaturas constantes e alternadas entre 20ºC e 35ºC(144).

Uso local: Espécie amplamente utilizada na Restinga de Massambaba, há relatos de uso passado e presente, especialmente para o consumo dos frutos maduros, sendo a “polpa” bastante apreciada e consumida in natura. O caule, no passado, era utilizado para confecção de caverna de barco e como lenha. 


Observações: Estudos etnobotânicos na Restinga de Carapebus (RJ) relataram o uso alimentar de seus frutos(145) Estudos recentes na área de química demonstraram o potencial antifúngico, a partir do isolamento de substâncias presentes nas sementes(146). Estudos sobre a composição química dos óleos essenciais da casca e caule destacaram substâncias com atividade antimicrobiana contra bactérias orais aeróbias e anaeróbias(147); outros estudos demonstraram ação dos extratos da casca do caule para ação antioxidante(148) e antiplasmódica(149). 

FABACEAE

Ormosia arborea (Vell.) Harms

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Ocorrência: Endêmica do Brasil, ocorre no Nordeste (Bahia), Centro-Oeste (Goiás) e em todo o Sudeste, na vegetação do Cerrado e Floresta Atlântica. Na Restinga de Massambaba é encontrada na formação arbustiva aberta (formando moitas) e em remanescentes da formação florestal não inundável. 


Descrição: Árvore ou arbusto até 15 m de altura, copa frondosa. Caule ereto a tortuoso. Folhas compostas, imparipinadas, em média 10 folíolos, glabros, coriáceos. Inflorescência em racemos terminais; flores zigomorfas, nectaríferas, levemente odoríferas, de cor rosa a roxa. Fruto legume bivalvar, pericarpo lenhoso, marrom-acinzentado quando maduro, uma a três sementes por fruto. Semente oblonga, grande, testa lisa, bicolor preta e vermelha-alaranjada, funículo evidente. Plântula fanerocotiledonar, hipógea, cotilédones de reserva.


Informações ecológicas: Floração e frutificação na primavera e verão. Polinização por melitofilia(47). Dispersão de sementes por autocoria e zoocoria. Sementes com dormência física. A dormência pode ser quebrada submergindo as sementes em ácido sulfúrico por 15 minutos150 ou em água a 80ºC a 90ºC por até 48 horas(151).  As sementes formam banco de sementes. 
Algumas plântulas podem apresentar germinação criptocotiledonar, quando o tegumento da semente não sofre degradação suficiente para se romper, mantendo os cotilédones de reserva em seu interior.


Observações: A madeira é usada para confecção de móveis, painéis e lambris; a lenha é de boa qualidade e suas sementes são ornamentais e usadas em artesanato. É conhecida como “olho-de-boi” e “olho-de-cabra”, devido às sementes chamativas e de cor vermelha e preta; é uma árvore vistosa, com potencial ornamental e para arborização urbana(152).
Frutos e sementes não apresentam estruturas nutritivas, mas a coloração chamativa da semente “engana” pássaros e mamíferos, que a confundem com outras espécies realmente nutritivas (mimetismo). Após a ingestão, as sementes acabam defecadas ou regurgitadas longe da planta-mãe(153).

FABACEAE

Senna pendula (Humb.& Bonpl.ex Willd.) H.S.Irwin & Barneby

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MAIO

Ocorrência: Com distribuição no México, América Central, do Sul, e Caribe. No Brasil ocorre na Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado, Floresta Atlântica e Pantanal e em todas as regiões do país. Na Restinga de Massambaba é encontrada comumente na formação arbustiva aberta (em moitas).


Descrição: Arbusto ou arvoreta, ereto, até 3 m altura. Caule com ramos glabros ou pilosos, estípulas linear-lanceoladas. Folhas compostas, de 3 a 6 pares de folíolos, elípticos, oblongos, obovados ou oblanceolados, glândulas presentes entre primeiro par de folíolos. Inflorescência em panículas terminais ou racemos axilares; flores de corola zigomorfa, amarelo-ouro. Fruto legume cilíndrico, endocarpo pulposo, pêndulo, reto, glabro, marrom claro, com septos internos separando cada semente, muitas sementes por fruto. Semente oblongo-elipsoide, mediana, testa lisa, marrom escura. Plântula fanerocotiledonar, epígea, cotilédones foliáceos fotossintetizantes.


Informações ecológicas: Floração e frutificação no inverno. Polinização por melitofilia(154). Dispersão de sementes por autocoria. A maior parte das sementes possui dormência física. As poucas sementes sem dormência iniciam a germinação 4 dias após a hidratação. Germinação alta (aproximadamente 80%) e tempo médio de germinação superior a 980 dias. As sementes formam banco de sementes. É indicada em programas de recuperação de áreas degradadas(155). 


Uso local: Planta de uso ornamental e paisagístico pela comunidade de pescadores artesanais devido às suas flores vistosas e amarelas.


Observações: Espécie abundante nas restingas fluminenses, conhecida em outras áreas como “canudo-de-pito” e “fedegoso”; na Restinga de Carapebus (RJ), há registro do uso do caule para confecção de cachimbos(145).

FABACEAE

Sophora tomentosa L.

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Ocorrência: Amplamente distribuída na região costeira dos paleotrópicos (Ásia, África e Norte da Austrália) e leste do Brasil. No Brasil ocorre nas regiões Norte (Amapá, Pará), Nordeste, Sudeste (Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul, na Floresta Amazônica e Floresta Atlântica (manguezal e restinga). Na Restinga de Massambaba é comumente encontrada na formação arbustiva fechada e em áreas degradadas.

Ocorrência: Amplamente distribuída na região costeira dos paleotrópicos (Ásia, África e Norte da Austrália) e leste do Brasil. No Brasil ocorre nas regiões Norte (Amapá, Pará), Nordeste, Sudeste (Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul, na Floresta Amazônica e Floresta Atlântica (manguezal e restinga). Na Restinga de Massambaba é comumente encontrada na formação arbustiva fechada e em áreas degradadas.


Descrição: Arbusto perenifólio, de 1 a 3 metros de altura. Caule com ramos cinza-prateados, pilosos. Folhas compostas imparipinadas, folíolos arredondados na base e no ápice. Inflorescência em racemos terminais; flores amarelas. Fruto legume indeiscente, moniliforme, marrom-acinzentado, poucas sementes por fruto, uma em cada septo. Semente globosa, mediana, hilo evidente, testa lisa e marrom clara. Plântula fanerocotiledonar, hipógea, cotilédones de reserva.


Informações ecológicas: Floração e frutificação no inverno e primavera. Polinização por melitofilia(112). Dispersão do fruto por autocoria. Pequena parcela das sementes não apresenta dormência e inicia a germinação 6 dias após a hidratação; a maior parte das sementes, no entanto, possui dormência física. Germinação alta em temperatura constante (90%) e mediana em temperatura alternada (54%). Tempo médio de germinação de 544 dias. A dormência pode ser quebrada submergindo as sementes em água a 98ºC por 5 minutos(156).


Observações: Estudos químicos indicaram potencial medicinal devido à atividade antifúngica(157).

HUMIRIACEAE

Humiria balsamifera (Aubl.) A.St.-Hil.

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MIRIM

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Ocorrência: Apresenta ampla distribuição com ocorrência no Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Suriname e Guianas. No Brasil, está presente na Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado e Floresta Atlântica e nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro). Na Restinga de Massambaba distribui-se nas formações arbustiva aberta (em moitas) e arbustiva aberta em baixios inundáveis.


Descrição: Arbusto ou árvore até 15 metros de altura. Caule cilíndrico com fissuras longitudinais, ramos glabros. Folhas simples, alternas, ovadas ou obovadas, ápice arredondado, emarginado ou retuso, base arredondada ou atenuada, glabras, lustrosas na face abaxial, coriáceas, discolores. Inflorescência axilar-subterminal, paniculada, dicotômica; flores bissexuadas, pentâmeras, cálice com sépalas suborbiculares, corola com pétalas lanceoladas, ápice agudo ou obtuso, espessas, brancas, glabras ou pilosas. Fruto drupa, pequeno, ovoide, roxo a negro quando maduro, epicarpo fino, mesocarpo sucoso, adocicado, palatável, endocarpo lenhoso, apenas uma semente por fruto. Semente elipsoide, mediana, testa bege a marrom, com fibras mais claras.


Informações ecológicas: Frutificação na primavera e outono. Polinização por melitofilia(158).  Dispersão de sementes por zoocoria. Germinação baixa(24) e sementes com dormência fisiológica(27).


Uso local: No passado o mirim era utilizado na medicina tradicional da região para “baixar febre”. Os frutos são comestíveis.


Observações: O naturalista Von Martius já havia descrito a importância do uso medicinal da casca desta espécie (conhecida como “umiri”) para o Pará e Amazonas(159). Recentemente, estudos químicos vêm comprovando sua importância medicinal (caule e folhas) para atividade antimalárica(160). Seus frutos são comestíveis e utilizados em geleias e sucos nas restingas do Norte Fluminense(114) e em outras regiões do Brasil, como no Maranhão, também chamado de mirim(161). 

IRIDACEAE

Neomarica northiana (Schnev.) Sprague

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Ocorrência: Endêmica do Brasil, ocorrendo na Floresta Atlântica do Rio de Janeiro e, possivelmente, em São Paulo (em floresta ombrófila e restinga). Na Restinga de Massambaba é encontrada na formação arbustiva aberta, na borda ou sob as moitas.


Descrição: Erva até 110 cm de altura. Caule rizomatoso, subterrâneo. Folhas menores que os ramos floríferos, verde claro a verde escuro, eretas ou decumbentes, lustrosas ou opacas. Inflorescência terminal, congesta, de 1 a 3 flores; flores vistosas, efêmeras, tépalas externas elípticas, patentes a reflexas, frequentemente brancas com arabescos ferrugíneos na base, tépalas internas elíptico-oblongas, azul-violáceas, com estrias azuis e arabescos ferrugíneos na base. Fruto cápsula elipsoide, amarelado quando maduro, aproximadamente 50 sementes por fruto. Semente elipsoide, pequena, testa rugosa, marrom escura. Plântula criptocotiledonar, hipógea, cotilédones de reserva.

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Informações ecológicas: Floração e frutificação na primavera e verão. Polinização por cantarofilia(25). Dispersão de sementes por autocoria. Sementes com dormência. Em temperatura constante, a germinação se inicia 77 dias após a hidratação e o tempo médio de germinação é de 116 dias. Em temperatura alternada, a germinação se inicia 169 dias após a hidratação e o tempo médio de germinação é de 350 dias. Em ambos os regimes de temperatura, a germinação é alta (85%).


Observações: Espécie com potencial ornamental e/ou paisagístico, sendo cultivada em jardins e/ou áreas públicas, devido à beleza das flores, sendo comercializada como “pseudo-iris”, “lírio-na-folha”(162). Interessante salientar sua importância no combate a erosão do solo, já descrita desde 1949, pois a presença de rizomas auxilia na contenção de solos em terrenos com declividade acentuada(163).