ESPÉCIES

ESPÉCIES

A-B   C-E   F-I   J-N   O-P   R-Z

CACTACEAE

Brasiliopuntia brasiliensis (Willd.) A.Berger 

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ARUMBEBA

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Canteiro 35A

 
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Ocorrência: Espécie amplamente distribuída no Brasil, no Norte (Rondônia), Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, assim como em outros países (Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina). No Brasil, ocorre na Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado, Floresta Atlântica e Pantanal. Na Restinga de Massambaba é comumente encontrada nos morros litorâneos e na formação florestal não inundável.


Descrição:  Suculenta arbórea, até 10 m de altura. Caule inicialmente ereto, cilíndrico, aréolas com espinhos aciculares. Cladódios primários cilíndricos, seguidos de filocládios, ovados a lanceolados, verdes e suculentos, aréolas dos cladódios terminais com espinhos, com poucos gloquídios. Folhas suculentas, verde-claras a amareladas, decíduas. Flores solitárias, amarelas, anteras amarelas. Fruto baga, globoso, verde-amarelado quando maduro, com numerosos espinhos curtos, várias sementes por fruto. Semente branco-amarelada, testa pilosa, arilo enrijecido. Plântula fanerocotiledonar, epígea, cotilédones fotossintetizantes(75).


Informações ecológicas: Floração e frutificação na primavera(76). Dispersão de sementes por zoocoria. Sementes sem dormência. Germinação baixa (20%) e tempo médio de germinação de 31 dias nas temperaturas de 20 e 25ºC. As sementes são capazes de germinar em ampla faixa de temperaturas constantes e alternadas(77).

Uso local: Nas caminhadas pela restinga, os pescadores relataram que consomem os frutos maduros in natura, após retirarem bem os espinhos que os recobrem.

CACTACEAE

Cereus fernambucensis Lem.

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CALDO, CALDO-NANÁ, CARDO-NANÁ

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Canteiro 35A

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Ocorrência: Endêmica do Brasil, é amplamente distribuída na região costeira, especialmente na Floresta Atlântica (em restingas e sobre afloramentos rochosos). Há registros para a Floresta Amazônica (Pará), Nordeste e Sudeste. Na Restinga de Massambaba é comumente encontrada nas formações arbustiva fechada e arbustiva aberta.

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Descrição: Suculenta terrestre, arbustiva, articulada, ramificada, reptante a ereta. Cladódios verdes a verde-amarelados, triangulares, aréolas pouco pilosas, tricomas curtos e acizentados, aréolas circulares com espinhos radiais, amarelos. Flores noturnas, brancas, solitárias, de aroma adocicado. Fruto baga, globoso, róseo, sem espinhos, deiscente por uma abertura longitudinal, contendo polpa branca, farináceo-suculenta, de sabor levemente doce, muitas sementes por fruto. Semente ovoide, pequena, testa preta brilhante, rugosa, hilo elíptico branco. Plântula fanerocotiledonar, epígea, com hipocótilo de reserva e cotilédones rudimentares fotossintetizantes(78).


Informações ecológicas: Floração no inverno e primavera e frutificação na primavera e verão(76). Polinização por esfingofilia(35). Frutos muito apreciados pela avifauna local. Dispersão de sementes por zoocoria. Sementes sem dormência, iniciam a germinação 7 dias após a hidratação. Em temperatura constante, a germinação é alta (83%) e o tempo médio de germinação é de 11 dias; em temperatura alternada, a germinação é mediana (65%) e o tempo médio de germinação é de 16 dias. As sementes formam banco de sementes.

Uso local: Os frutos são coletados na restinga e consumidos in natura e em elaboração de doces e geleias. Bastante apreciados no passado da região e atualmente. 

CACTACEAE

Hylocereus setaceus (Salm-Dyck ex DC.) Ralf Bauer

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CACTO-TRÊS-QUINA, MANDACARU-TRÊS-QUINA

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Ocorrência: Apresenta ampla distribuição no Brasil (do Pará ao Paraná), na Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado e Floresta Atlântica. Ocorre ainda na Bolívia, Argentina e Paraguai. Na Restinga de Massambaba é frequente na formação florestal não inundável, ocorrendo também na formação arbustiva aberta (sob moitas). 


Descrição:  Suculenta escandente ou epífita em árvores, com raízes aéreas. Cladódios suculentos, geralmente com 3 ou mais costelas, verde-claros; aréolas com espinhos. Flores solitárias, laterais a subterminais, creme-amareladas, 1 flor por aréola, antese noturna e aroma agradável. Fruto baga, ovoide, suculento, róseo, deiscente por fenda irregular, com numerosos espinhos, polpa branca, muitas sementes por fruto. Semente ovoide, pequena, testa preta brilhante, rugosa, hilo elíptico branco. Plântula fanerocotiledonar, epígea, com hipocótilo de reserva e cotilédones rudimentares fotossintetizantes(78). 


Informações ecológicas: Floração e frutificação na primavera(76). Frutos apreciados pela avifauna. Dispersão de sementes por zoocoria. Sementes sem dormência, alcançam máxima germinação 3 a 4 dias após a hidratação(79). Germinação alta (100%) nas temperaturas constantes de 25 e 30ºC(79). As sementes formam banco de sementes.

Uso local: Os pescadores artesanais indicaram esta espécie para uso medicinal, sendo utilizada em tratamentos de diabetes.  

CACTACEAE

Melocactus violaceus Pfeiff.

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CABEÇA-DE-FRADE

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Canteiro 35A

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Ocorrência: Endêmica do Brasil, ocorre na Caatinga, Floresta Atlântica (restinga), nas regiões Nordeste e Sudeste. Na Restinga de Massambaba ocorre nas formações arbustiva aberta (área aberta entre-moitas) e arbustiva aberta em baixios inundáveis. 

Descrição: Suculenta globosa, eventualmente alongada. Cladódio subgloboso, não ramificado, suculento, com 9 a 15 costelas, espinhos cilíndricos aciculados a levemente curvos. Cefálio apical, com tricomas brancos, cerdas rosas a vermelhas. Flores pequenas e róseas. Fruto baga, claviforme, rosado, poucas sementes por fruto. Semente muito pequena, globosa, testa negra brilhante, hilo elíptico branco. Plântula fanerocotiledonar, epígea, com hipocótilo de reserva e cotilédones rudimentares fotossintetizantes(78).


Informações ecológicas: Floração e frutificação no inverno(76). Frutos apreciados por lagartos e insetos. Dispersão de sementes por zoocoria. Sementes sem dormência, iniciam a germinação 13 dias após a hidratação. Germinação alta (75%) e tempo médio de germinação de 26 dias. Germinação ocorre apenas em temperatura alternada e sementes de cor marrom não são viáveis. As sementes formam banco de sementes.

Uso local: Os pescadores admiram esta espécie por sua beleza. Em alguns casos, coletam para tentar cultivá-la em casa.

Observações: Espécie considerada como vulnerável (VU), status de conservação de acordo com o Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora)(80)  e Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora (CITES)(81), devido à coleta ilegal de indivíduos para cultivo e venda, além da perda do habitat onde a espécie ocorre. 

CACTACEAE

Pilosocereus arrabidae (Lem.) Byles & G.D.Rowley

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CARDEIRO, CARDO-CALDO, CALDO-VERMELHO, CARDO-VERMELHO

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Canteiro 35A

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Ocorrência: Endêmica do Brasil, ocorre na Floresta Atlântica (restinga e vegetação sobre afloramentos rochosos), nas regiões Nordeste (Bahia) e Sudeste (Espírito Santo, Rio de Janeiro). É comumente encontrada na Restinga de Massambaba, nas formações arbustiva aberta e arbustiva fechada. 

Descrição: Suculenta arbustiva a arbórea, colunar, ereta, de 1 a 7 m de altura, verdes, de 4 a 6 costelas, triangulares, aréolas floríferas não modificadas, circulares, tricomas curtos, acinzentados. Flores noturnas, com tubo floral e pericarpelo esverdeados, escamas esparsas, agudas e verdes, com ápice rosado. Fruto baga, globoso-achatado, róseo ou esverdeado, sem espinhos, polpa avermelhada, muitas sementes por fruto. Semente ovoide, pequena, testa negra brilhante, rugosa, hilo elíptico branco. Plântula fanerocotiledonar, epígea, com hipocótilo de reserva e cotilédones rudimentares fotossintetizantes(78). 


Informações ecológicas: Floração e frutificação no inverno e primavera(76). Frutos apreciados pela avifauna e por insetos. Dispersão de sementes por zoocoria. Sementes sem dormência, iniciam a germinação 4 a 7 dias após a hidratação. Germinação alta (77%) e tempo médio de germinação de 11 dias. As sementes formam banco de sementes.

Uso local: Os frutos apresentam polpa suculenta e vermelha, sendo apreciados pelos pescadores artesanais, assim como moradores locais em suas caminhadas pela restinga. São consumidos maduros e in natura. A planta também é apreciada e cultivada como ornamental em quintais e propriedades rurais. 

Observações: O potencial alimentar dos frutos de P. arrabidae vêm sendo registrado em estudos etnobotânicos no litoral do Brasil. Estudos químicos têm demonstrado propriedades físico-químicas e minerais relacionadas com a ação antioxidante. Os frutos constituem uma boa fonte de fibras, com alto potencial antioxidante, devido à presença de flavonoides, além de altos teores de selênio e manganês, características que podem promover efeitos benéficos à saúde humana(82). 

CAPPARACEAE

Crateva tapia L.

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Canteiro 35A

 

Ocorrência: Amplamente distribuída, ocorre no México, em países da América Central, América do Sul e Caribe. No Brasil, está presente na Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado e Floresta Atlântica, nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Na Restinga de Massambaba é encontrada nos remanescentes da formação florestal não inundável. 

Descrição: Árvore, até 8 m de altura. Caule tortuoso, com ramos glabros, lenticelados; casca glabra e áspera, creme-acizentada. Folhas compostas, trifolioladas, alternas, espiraladas, glabras, lâmina elíptica ou ovada, margem inteira. Inflorescência em corimbo; flores com cálice esverdeado, corola com pétalas unguiculadas, brancas, estames vináceos. Fruto baga, globoso, amarelo-alaranjado, com polpa branca bastante aderida às sementes, várias sementes por fruto. Semente reniforme, média, testa marrom rugosa, ligeiramente fibrosa. Plântula fanerocotiledonar, epígea, cotilédones de reserva.


Informações ecológicas: Frutificação no verão e outono. Polinização por quiropterofilia83. Dispersão de sementes por zoocoria. Sementes sem dormência, iniciam a germinação 15 dias após a hidratação. Germinação alta (85%) e tempo médio de germinação de 38 dias.

Uso local: A polpa pode ser consumida com a ajuda de uma colher, colocando porções na boca, chupando e jogando fora as sementes. Os frutos sem casca podem ser usados para enriquecer sopas de legumes. 

Observações: C. tapia é tradicionalmente utilizada no Brasil para tratamento de diabetes. Estudos indicaram a proteína (lectin CrataBL), encontrada nesta espécie, como um bom agente no controle de diabetes mellitus pela sua atividade anti-hiperglicêmica, sem causar danos aos rins e tecidos do fígado, sendo um excelente candidato à terapia alternativa no tratamento da doença(84). 

CAPPARACEAE

Cynophalla flexuosa (L.) J.Presl. L.

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TIMBÓ, FEIJÃO-BRAVO

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Canteiro 35A

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Ocorrência: Amplamente distribuída no Neotrópico, ocorre no Brasil, do Norte ao Sul e em ilhas oceânicas. Encontrada na Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado, Floresta Atlântica e Pantanal. Na Restinga de Massambaba é comum nas formações arbustiva fechada, arbustiva aberta e remanescente da formação florestal não inundável. 


Descrição: Arbusto, até 4 m de altura. Caule com ramos eretos, glabros. Folhas simples, alternas, dísticas, oblongas ou levemente obovadas, coriáceas, discolores. Inflorescência racemosa ou pseudocorimbosa; flores com antese noturna, aromáticas, cálice com 4 sépalas, corola com 4 pétalas brancas, numerosos estames brancos. Fruto cápsula folicular, toruloso, avermelhado, alongado, pêndulo, que se abre em duas valvas, várias sementes por fruto. Sementes com testa acinzentada, envoltas em polpa branca. Plântula fanerocotiledonar, hipógea, cotilédones de reserva(85).


Informações ecológicas: Frutificação na primavera e verão(2). Dispersão de sementes por zoocoria86. Germinação alta (80%)(87).

Uso local: A madeira dura, no passado, era extraída para uso em marcenaria e usada como combustível quando o querosene ainda não havia chegado a Arraial do Cabo.

Observações: Reconhecida na literatura pelos nomes populares de feijão-bravo e feijão-de-boi. Na região semiárida do Brasil, vem sendo estudada como forrageira potencial (nativa), devido ao alto valor nutritivo para animais de criação(88). 
Estudos fitoquímicos no gênero Capparis vêm demonstrando a presença de compostos benéficos (espermidina, rutina, quercetina, kaempferol, estigmasterol, campesterol, tocoferóis e carotenoides); estudos biológicos revelam importantes propriedades antimicrobianas, anti-oxidativas, anti-inflamatórias, imunomoduladoras e antivirais(89).
Estudos dos extratos das folhas de C. flexuosa têm demonstrado uma quantidade significativa de compostos fenólicos, sendo um potencial antioxidante(90).

CASUARINACEAE

Casuarina equisetifolia L.

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CASUARINA

 

Ocorrência: Originária do Sudeste da Ásia e da região do Pacífico, foi introduzida em diversos países ao redor do mundo, sendo considerada espécie invasora (e.g. Bermudas, EUA, Brasil). Na Restinga de Massambaba ocorre em áreas perturbadas de várias formações vegetais. 


Descrição: Árvore monoica, de até 20 m de altura. Caule ereto, casca pardo-clara com parte interior castanho-avermelhada; ramos finos, verdes ou marrom-acinzentados, sulcados e com tricomas. Folhas aciculares, escamiformes, verticiladas, agrupadas de 6 a 8 folhas. Inflorescência unissexual, com maturação separada no tempo; flores pequenas, brancas, as femininas em pequenos grupos laterais e as masculinas terminais; cada flor feminina é protegida por duas brácteas que aumentam de tamanho e se tornam lenhosas na frutificação, formando uma estrutura cônica com pequenas câmaras onde se encerram os frutos. Fruto sâmara pequena, bege, com uma ala localizada em apenas uma extremidade. Semente não pode ser separada do fruto. Plântula fanerocotiledonar, epígea, com cotilédones foliáceos fotossintetizantes.


Informações ecológicas: Frutificação no inverno. Polinização por anemofilia91. Dispersão de frutos por anemocoria. Sementes sem dormência. Germinação alta (90%) e tempo médio de germinação de 7 dias, em grande amplitude de temperaturas constantes e alternadas, em presença ou ausência de luz, e tolerância a ambientes secos e salinos(92). As sementes formam banco de sementes.

Uso local: Os pescadores relataram esta planta como uma “praga” para a região, mas alguns vêm utilizando a madeira da rebrota para confecção de vara de pescar. A madeira é usada como combustível e em construções.

Observações: Pescadores mais antigos de Arraial do Cabo reportam que esta espécie foi trazida pela Companhia Nacional de Álcalis para funcionar, principalmente, como quebra-vento nas salinas, entretanto há indicações de que desde 1920 a espécie já estava em Cabo Frio(93). Lamentavelmente, a espécie se adaptou bem à região em áreas antropizadas e, principalmente, nas salinas abandonadas. 
Trata-se de uma espécie altamente invasora, agressiva, extremamente competitiva e alelopática. Na Restinga de Massambaba sua população tem avançando rapidamente sobre a paisagem natural pelo aumento, nos últimos anos, do número de áreas antropizadas e degradadas. Ações de supressão desta espécie precisam ser realizadas, caso contrário, a biodiversidade local estará seriamente ameaçada(94). 

CELASTRACEAE

Maytenus obtusifolia Mart.

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PAPAGAIO

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Canteiro 35A

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Ocorrência: Endêmica do Brasil e abundante em áreas de restinga, distribui-se no Norte (Pará), Nordeste e Sudeste (Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo). Ocorre na Floresta Amazônica, Cerrado e Floresta Atlântica. Na Restinga de Massambaba é uma espécie dominante da formação arbustiva aberta (formando moitas), encontrada também na formação arbustiva fechada. 

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Descrição: Arbusto até 5 m de altura. Caule com ramos jovens glabros, cilíndrico-achatados. Folhas simples, alternas, ovais, com as margens variando de inteira a crenada. Inflorescência em cimeira paniculiforme, multiflora; flores bissexuadas, pouco vistosas, cálice fundido na base, corola pentâmera, esverdeada. Fruto cápsula, globoso a ovoide, marrom-avermelhado, normalmente apenas uma semente por fruto. Semente mediana, testa lisa e marrom escura, totalmente recoberta por arilo branco. Plântula criptocotiledonar, hipógea, cotilédones de reserva.

Informações ecológicas: Frutificação no verão. Dispersão de sementes por autocoria; no entanto, sementes com arilo podem estar associadas com dispersão secundária por formigas. Sementes sem dormência, iniciam a germinação aproximadamente 8 dias após a hidratação. Germinação alta (74%) e tempo médio de germinação de 15 dias. As sementes formam banco de sementes.

Uso local: A madeira foi utilizada, no passado, para confecção de cabos de ferramentas, assim como combustível para fogões a lenha. 

Observações: A literatura revela o potencial medicinal desta espécie no tratamento da malária(95) e de úlceras gástricas96, como anti-inflamatória e analgésica. Um estudo realizado com raízes de M. obtusifolia relatou atividades biológicas relacionadas aos compostos triterpênicos no sistema nervoso central, revelando efeito antipsicótico no modelo de catalepsia(97). 

CHRYSOBALANACEAE

Chrysobalanus icaco L.

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BAJIRÚ, ABAJIRÚ

 

Ocorrência: Ocorre em regiões costeiras tropicais, desde a Flórida (EUA) até o Sudeste do Brasil, Caribe e costa ocidental da África, sendo introduzida em países do Sul da Ásia e em ilhas do Pacífico. Encontrada na Floresta Amazônica e Floresta Atlântica. Na Restinga de Massambaba é comumente encontrada nas dunas próximas ao mar e da Lagoa de Araruama, e em áreas de transição da formação arbustiva aberta. 

Descrição: Arbusto de 2 a 4 m de altura. Caule tortuoso. Folhas simples, alternas, glabras, coriáceas, redondas ou elípticas, verde-escuras, lustrosas na face adaxial e verde-claras na face abaxial. Inflorescência em pequenos racemos de címulos terminais e axilares em fascículos subsésseis; flores com receptáculo em forma de cúpula, pequenas, branco-esverdeadas, glabras. Fruto drupa, esférico, vermelho a vináceo escuro e polpa branca densa, bastante aderida à semente, uma única semente por fruto. Semente grande, globosa, com formato irregular, testa rugosa, bege a marrom clara. Plântula criptocotiledonar, hipógea, com cotilédones de reserva.

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Informações ecológicas: Frutificação no outono. Dispersão de sementes por zoocoria. Sementes com dormência fisiológica(27).

Uso local: Os frutos são apreciados pela população local que os consome maduros, in natura, como uma “maçã da praia”. As folhas são de grande importância, muito utilizadas para problemas de diabetes ou pedras nos rins. 

Observações: É conhecida na literatura brasileira também pelos nomes de ajirú, abajurú e abajerú. Estudos comprovam suas atividades biológicas(98), como dos extratos das folhas com compostos bioativos hipoglicemiantes(99), antiangiogênicos(100) e citotóxicos(101). Fruto rico em antocianinas e polifenóis, associados a efeitos benéficos à saúde, como redução da inflamação, do estresse oxidativo(102) e redução no risco de doenças crônicas. Estudos recentes com antocianinas sugerem atividades citotóxicas e anti-inflamatórias, no caso de câncer de cólon(103).  

CHRYSOBALANACEAE

Couepia ovalifolia (Schott) Benth. Ex Hook.f.

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BOLA-PORCO-DO-MATO

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Ocorrência: Endêmica do Brasil, ocorre no Cerrado e Floresta Atlântica (floresta ombrófila e restinga), nas regiões Nordeste (Bahia, Pernambuco) e Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro). Na Restinga de Massambaba é comumente encontrada na formação arbustiva aberta (área aberta entre-moitas).

​​Descrição: Arbusto até 2 m de altura. Folhas ovadas, glabras na face adaxial, exceto quando jovens, com densa pilosidade prata-acinzentada na face abaxial. Inflorescência em panículas terminais; flores bissexuadas, cálice pentâmero, esverdeado, corola pentâmera, cilíndrica, branca, glabra. Fruto drupa, elipsoide, sem linhas de ruptura, endocarpo duro, espesso, granular, verde-amarelado quando maduro, apenas uma semente por fruto. Semente elipsoide, grande, testa rugosa e bege, com fibras brancas irregulares. Plântula criptocotiledonar, hipógea, cotilédones de reserva, folhas pilosas em ambas as faces.

 

Informações ecológicas: Floração no inverno e frutificação na primavera. Dispersão por autocoria. Sementes sem dormência, iniciam a germinação 12 dias após a hidratação. Germinação baixa (20%) e tempo médio de germinação de 30 dias.

Uso local: No passado, a madeira era extraída na forma de forquilha para confeccionar estilingues e brinquedos para crianças. 

Observações: Em trabalho de campo, foi possível observar frutos espalhados e roídos, formando um caminho pela areia. Esse fato pode indicar que animais de pequeno e médio porte (possivelmente morcegos e roedores diversos) consomem estes frutos. 

CLUSIACEAE

Clusia fluminensis Planch. & Triana

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ABANEIRO

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Canteiro 35A

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Ocorrência: Endêmica do Brasil, ocorre na Floresta Atlântica (floresta ombrófila e restinga), da Bahia até o Rio de Janeiro. Na Restinga de Massambaba é comumente encontrada na formação arbustiva aberta (formando densas moitas). 

​​Descrição: Arbusto ou árvore de 3 a 4 m de altura, dioica, com tronco curto. Caule tortuoso e canelado, revestido por casca áspera de cor acinzentada. Folhas simples, opostas, com pecíolo muito curto, lâmina obovada com ápice retuso e base cuneada decorrente, coriácea, discolor, glabra, de margem inteira, sem estípulas. Inflorescência terminal, cimosa; flores unissexuadas, com pétalas brancas, carnosas. Fruto cápsula elipsoide, coriáceo-carnosa, verde-claro, várias sementes por fruto. Semente elipsoide, mediana, com arilo carnoso alaranjado, testa lisa, bege a marrom claro. Plântula fanerocotiledonar, epígea, com cotilédones foliáceos fotossintetizantes(104) e hipocótilo de reserva(27).
 

Informações ecológicas: Floração no inverno e frutificação no verão. Polinização por melitofilia(105). Dispersão de sementes por zoocoria. Sementes sem dormência. Germinação alta (aproximadamente 100%) em temperaturas constantes e alternadas, porém mais rápida em temperatura constante de 30ºC(106), e tempo médio de germinação de 10 dias(106).

Uso local: No passado, a madeira era extraída, seca e utilizada como combustível (lenha e carvão). Planta apreciada para uso ornamental.

Observações: A literatura comprova que os frutos contêm flavonoides, responsáveis por atividade antioxidante contra radicais livres(107). A clusianona, substância isolada das flores, tem potencial como biopesticida para o controle de insetos vetores de doenças tropicais, já tendo sido demonstrada sua eficácia contra Aedes aegypti(108).
As espécies do gênero Clusia foram indicadas como facilitadoras em estudos ecológicos nas restingas fluminenses, devido à sua capacidade de amenizar as condições microclimáticas abaixo de sua copa. O ambiente mais ameno favorece o estabelecimento de outras espécies, aumentando a densidade e riqueza da comunidade vegetal(l09 110). Na Restinga de Massambaba, C. fluminensis é uma espécie abundante e parece desempenhar o papel de facilitadora, embora outras espécies arbustivas pareçam igualmente importantes no cumprimento dessa função.

CLUSIACEAE

Clusia hilariana Schltdl.

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ABANEIRO

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Canteiro 35A

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Ocorrência: Endêmica do Brasil, é encontrada na Floresta Atlântica (floresta ombrófila, estacional semidecidual e restinga), nas regiões Nordeste (Bahia, Paraíba, Pernambuco) e Sudeste (Espírito Santo, Rio de Janeiro). Na Restinga de Massambaba, ocorre na formação arbustiva aberta (formando moitas). 

​​​Descrição: Arbusto ou árvore, até 8 m de altura, dioica. Caule ramificado. Folhas simples, opostas, ovais, coriáceas, lustrosas. Inflorescência terminal, cimosa; flores de 2-3 reunidas, quando masculinas, e as flores femininas dispostas isoladamente na ponta dos ramos; flores brancas, rosadas na base, com resina. Fruto cápsula, coriáceo-carnosa, verde-amarelado, globoso e segmentado, várias sementes por fruto. Semente pequena, testa lisa, arilo carnoso e laranja. Plântula fanerocotiledonar, epígea, com cotilédones foliáceos fotossintetizantes104 e hipocótilo de reserva(27).

Informações ecológicas: Floração na primavera e início do verão. Frutificação no fim do verão e outono111. Polinização por melitofilia(112). Dispersão de sementes por zoocoria. Sementes sem dormência, iniciam a germinação aproximadamente 6 dias após a hidratação. Germinação alta (90%) e tempo médio de germinação de 8 dias(113).

Uso local: Planta apreciada para uso ornamental.

Observações: Estudos na Restinga de Jurubatiba (RJ) apontam C. hilariana como espécie dominante e de alta relevância ecológica. Abaixo de sua copa, a temperatura é mais baixa, a umidade do solo é maior e há mais nutrientes, favorecendo o estabelecimento de outras espécies e proporcionando aumento na densidade e riqueza da comunidade vegetal. Por estas características, C. hilariana é chamada de espécie facilitadora(109 110). Na Restinga de Massambaba, esta espécie não é dominante e, embora ela também possa desempenhar o papel de facilitadora, outras espécies arbustivas parecem ser igualmente importantes no cumprimento dessa função. Espécie com potencial paisagístico e inseticida, com relatos de atividade contra as larvas do inseto “barbeiro”, transmissor da doença de Chagas(114).

CLUSIACEAE

Garcinia brasiliensis Mart.

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BACUPARI

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Canteiro 35A

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Ocorrência: Amplamente distribuída na América do Sul e Brasil. Encontrada nas restingas fluminenses (São João da Barra, Macaé, Barra de São João, Maricá, Jacarepaguá, Grumari, Marambaia e Reserva Biológica da Praia do Sul), na Restinga de Massambaba é comum em densas moitas nas formações arbustiva aberta, arbustiva fechada e em remanescentes da formação florestal não inundável. 

​​​​Descrição: Árvore de 2 a 10 m de altura, glabra, com látex amarelo. Caule com ramos jovens lisos ou ligeiramente ásperos. Folhas simples, opostas, coriáceas, face abaxial lisa ou levemente áspera, ápice agudo. Inflorescência axilar; flores pequenas, brancas a amarelo-esverdeadas, perfumadas. Fruto baga, suculento, globoso, amarelo, uma a quatro sementes por fruto. Semente globosa, grande, testa lisa e marrom, com listras mais escuras. Plântula criptocotiledonar, hipógea, cotilédones de reserva.

Informações ecológicas: Frutificação intensa no fim da primavera e início do verão, a cada 3 ou 4 anos. Polinização por melitofilia115. Dispersão primária do fruto por autocoria; no entanto, pode haver dispersão secundária da semente por zoocoria. Sementes com dormência fisiológica27, iniciam a germinação aproximadamente 75 dias após a hidratação. Germinação alta (97%) e tempo médio de germinação de 352 dias. A germinação pode se iniciar com a emissão da parte aérea da plântula antes da emissão da radícula. As sementes formam banco de sementes.

Uso local: Os frutos, quando amarelos e maduros, são colhidos pela população local e consumidos in natura, especialmente pelos pescadores artesanais.

 

Observações: A maioria dos frutos do gênero Garcinia (= Rheedia) são apreciados pelo sabor ácido e adstringente, em diferentes comunidades locais brasileiras, especialmente na Amazônia, sendo reconhecidas como “bacuri-pari”; os frutos são consumidos ao natural ou sob a forma de conservas (compotas, geleias, sucos  e liofilizados)(116). Recentemente, Garcinia tem demonstrado, em estudos fitoquímicos, uma diversidade de compostos fenólicos. Investigações farmacológicas dos compostos isolados de G. brasiliensis mostraram atividades antianafilática(117), antimicrobiana(118), antiespasmódica(119), anti-inflamatória e antioxidante(120), antiproteolítica(121), antiproliferativa e leishmanicida(122).

EBENACEAE

Diospyros inconstans Jacq.

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FRUTA-DE-JACU

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Canteiro 35A

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Ocorrência: De ampla distribuição, ocorre no Panamá e em diferentes países da América do Sul. No Brasil, distribui-se na Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado, Floresta Atlântica e Pantanal. Na Restinga de Massambaba ocorre na formação arbustiva fechada, em bordas de remanescente da formação florestal não inundável e em áreas perturbadas. 

​​​​Descrição: Arbusto até 6 m de altura, dioica. Caule com ramos glabros, lenticelados. Folhas simples, alternas, cartáceas, obovadas, ápice agudo a arredondado. Inflorescência cimosa ou fasciculada, axilar, de 1 a 3 flores; flores creme-esverdeadas, as femininas geralmente solitárias; cálice campanulado, com 3 ou 4 sépalas; corola infundibuliforme com 3 pétalas. Fruto baga, globoso, vináceo a negro quando maduro, 2 a 6 sementes por fruto. Semente semilunar, mediana, tegumento relativamente rugoso, marrom escuro. Plântula criptocotiledonar, epígea, cotilédones de reserva.

Informações ecológicas: Frutificação no inverno. Não possui polinizador especializado(47). Dispersão de sementes por zoocoria. Sementes sem dormência, iniciam a germinação 10 dias após a hidratação. Germinação baixa (42%) e tempo médio de germinação de 21 dias.

Uso local: D. inconstans é da mesma família botânica do caqui – fruto comestível. Em algumas antigas referências é denominada como “caqui-bravo”, cujos frutos também podem ser consumidos in natura e/ou em doces e licores. Recentemente, um estudo etnobotânico no litoral de Santa Catarina mencionou a continuidade de seu uso alimentar(123).

Estudos fitoquímicos realizados com frutos desta espécie têm demostrado uma quantidade considerável de flavonoides nas sementes. Estes compostos fenólicos são comumente encontrados em extratos vegetais e possuem ação antioxidante(124).

ERICACEAE

Gaylussacia brasiliensis (Spreng.) Meisn.

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Ocorrência: Com ocorrência também no Paraguai, no Brasil apresenta ampla distribuição, desde a zona costeira (da Paraíba até Rio Grande do Sul) até as cadeias montanhosas da região Centro-Oeste. Presente na Caatinga, Cerrado e Floresta Atlântica. Na Restinga de Massambaba é comumente encontrada na formação arbustiva aberta (área aberta entre-moitas). 

​​​​Descrição: Arbusto de 0,5 a 1 m de altura, ramificado, ocorre de forma isolada ou em agrupamentos. Caule com ramos glabros a densamente pilosos. Folhas simples, alternas, subcoriáceas, de formas variadas às vezes no mesmo espécime, oblongo-elípticas, face abaxial glabra ou pouco pilosa, lustrosa, face adaxial com tricomas proeminentes. Inflorescência em racemo ou panícula; flores bissexuadas, com antese diurna e ausência de odor, corola urceolada, rosada ou vermelha. Fruto nuculânio, subgloboso, vinoso a negro, cerca de 10 sementes por fruto. Semente muito pequena, testa rugosa, bege a marrom claro. Plântula fanerocotiledonar, epígea, cotilédones foliáceos fotossintetizantes.

Informações ecológicas: Floração no inverno e primavera e frutificação no verão e outono. Polinização por ornitofilia125. Dispersão de sementes por zoocoria. Sementes com dormência, iniciam a germinação 37 dias após a hidratação, em temperatura alternada. Germinação mediana (52%) e tempo médio de germinação de 63 dias, em temperatura alternada. Em temperatura constante, a germinação é muito baixa (16%) e inicia após 124 dias.

Observações: Na literatura, G. brasiliensis é citada como uma espécie de importância ecológica, pois apresenta características ornitófilas típicas, sendo regularmente visitada por beija-flores em restingas, matas, solos rochosos à beira de rios e nas mais variadas condições edáficas. Esta espécie apresenta anteras poricidas com poros amplos e os beija-flores, quando adejam com o bico inserido nas flores em busca de néctar, fornecem a vibração necessária para a liberação dos grãos de pólen. Os agrupamentos de indivíduos com muitas flores parecem atrair beija-flores com comportamento territorial(125). 
Estudos químicos demonstraram que no fruto de G. brasiliensis há quantidades consideráveis de compostos fenólicos com alta atividade antioxidante, destacando o potencial deste fruto como uma importante fonte de compostos nutricionais e bioativos disponíveis na flora nativa brasileira(126). 

ERYTHROXYLACEAE

Erythroxylum ovalifolium Peyr.

FRUTO-DE-SABIÁ

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Canteiro 35A

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Sementes em fezes de animais

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Ocorrência: Endêmica do Brasil, ocorre na Floresta Atlântica, mais especificamente nas restingas do Rio de Janeiro. Na Restinga de Massambaba é uma espécie dominante na formação arbustiva aberta (formando moitas).

​​​​​Descrição: Arbusto ou subarbusto, até 6 m de altura. Caule suberoso ou não, com ramos com lenticelas, castanhos a cinzas, cilíndricos. Folhas simples, alternas, inteiras, glabras, pecioladas. Flores nas axilas das folhas, pentâmeras, pequenas, pediceladas; cálice persistente; corola com pétalas esbranquiçadas a creme. Fruto drupa, vermelha na maturidade, apenas uma semente por fruto. Semente elipsoide, mediana, amarelada a marrom, com sulcos longitudinais. Plântula fanerocotiledonar, epígea, cotilédones de reserva.
 

Informações ecológicas: Floração na primavera e frutificação no verão. Dispersão de sementes por zoocoria, sendo os frutos muito procurados pela avifauna local. Sementes sem dormência, iniciando a germinação 7 dias após a hidratação. Germinação alta (77%) e tempo médio de germinação de aproximadamente 16 dias. Plântulas albinas são encontradas, esporadicamente.

Uso local: A madeira, no passado, foi usada como combustível para fogão a lenha. 

Observações: Na Restinga de Massambaba não foi verificado o uso medicinal. Entretanto, de acordo com a literatura, o gênero Erythroxylum possui propriedades medicinais por conter alcaloides, flavonoides, terpenos e outros metabólitos com várias atividades biológicas e farmacológicas(127 128). Extratos de E. ovalifolium recentemente vêm sendo estudados devido ao potencial de moléculas com propriedades antivenômicas(129), assim como os óleos voláteis, isolados recentemente de suas folhas(130).

EUPHORBIACEAE

Dalechampia micromeria Baill.

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Ocorrência: Endêmica do Brasil, ocorre no Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo) e Sul. Encontrada no Cerrado e Floresta Atlântica, nas florestas ciliares, estacionais semidecidual, ombrófila e restinga. Na Restinga de Massambaba ocorre na formação arbustiva aberta (em moitas).

​​​​​Descrição: Trepadeira escandente, monoica. Caule longo e fino, verde, glabro. Folhas compostas, alternas, trifolioladas, pecioladas, membranáceas. Inflorescência em pseudanto, axilar; brácteas foliáceas esverdeadas com glândula secretora de resina; cálice verde; corola branco-amarelada. Fruto esquizocarpo, se desfaz em 3 carpídios na maturação, oblongo a globoso, geralmente três sementes por fruto, raramente 2 ou 4. Semente globosa, perfeitamente esférica, pequena, testa lisa e marrom escura. Plântula fanerocotiledonar, epígea, cotilédones foliáceos fotossintetizantes.

Informações ecológicas: Floração na primavera e verão e frutificação no verão e outono. Polinização por melitofilia(112). Dispersão de sementes por balística. Sementes sem dormência, iniciam a germinação aproximadamente 9 dias após a hidratação. Germinação mediana (42%) e tempo médio de germinação de 33 dias. As sementes formam banco de sementes. 

EUPHORBIACEAE

Microstachys corniculata (Vahl) Griseb. 

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Ocorrência: Amplamente distribuída pela América do Sul e Central, Antilhas e México, em savanas arenosas de solo úmido, principalmente em regiões costeiras. No Brasil é encontrada na Amazônia, Caatinga, Cerrado e Floresta Atlântica. Na Restinga de Massambaba ocorre na formação arbustiva aberta (área aberta entre-moitas) e em áreas perturbadas de restinga.

​​​​​​Descrição: Arbusto monoico. Caule com ramos cilíndricos, delgados, rígidos a flexuosos, esverdeados a avermelhados. Folhas simples, alternas, membranáceas a cartáceas, lanceoladas, margem inteira ou serrada, com látex branco. Inflorescência tirso espiciforme, com numerosas címulas masculinas no ápice e de 1 a 3 címulas femininas, cálice com 3 sépalas; flores estaminadas em grupos de 3 por címula, dísticas; flor pistilada solitária, em ramo próximo ao da inflorescência estaminada, pequenas, amarelas. Fruto esquizocarpo, se desfaz em 3 carpídios na maturação, oblongo a globoso, três sementes por fruto. Semente globoso-elipsoide, com carúncula, pequena, testa lisa e bege. Plântula fanerocotiledonar, epígea, cotilédones foliáceos fotossintetizantes.

 

Informações ecológicas: Floração na primavera. Dispersão de sementes por autocoria ou, possivelmente, por balística. As sementes formam banco de sementes.